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5 momentos da trajetória do Sepultura que a banda foi politizada (e teve gente que nem entendeu)

Não há dúvidas de que a maior banda do Brasil, entre todos os os gêneros, tem nome. Há mais de 40 anos, Sepultura lançou diversos discos que marcaram cada década e talvez nunca tenha sido uma banda fácil de ser compreendida pelo conservadorismo brasileiro. E foi justamente isso que a marcou.



Sepultura é, de fato, a maior banda do Brasil. Simples. Com uma trajetória marcada por uma extensa discografia, cada época é definida por uma peculiaridade da banda, pouco antes vista na região, até mesmo no continente. O surgimento do Sepultura sempre teve um grande choque no meio, quebrando toda expectativa do que um pai, nos anos 80, deixaria seu filho consumir. Marcada por uma fase repleta de demônios, bestialidade e esquizofrenia, era o caos em si.


O caos, que muitas vezes era retratado com figuras do submundo, começou a ser representado agora pelas palavras mais certas: mostrar que o caos está na Terra. Inclusive, sendo uma fase que pega o trajeto de Andreas Kisser após sua entrada, em 1987, no lançamento do álbum Schizophrenia.


Com a sequência de Beneath the Remains, Arise, Chaos A.D. e Roots, o Sepultura não apenas reforçou o caos da sociedade brasileira, como também o do mundo na época, com videoclipes que destacam a situação geopolítica do início da década de 90, acompanhados pelo cover da banda Titãs, Polícia . Além de falar dos conflitos e da sociedade, a banda ainda deu um passo além ao lançar, em meados dos anos 90, o Roots, álbum que trouxe um marco para a história musical brasileira.


Porém, há momentos em que, de fato, o Sepultura traz um marco para a música brasileira como uma banda politizada e difícil de ser entendida até mesmo sob a visão do atual conservador brasileiro? Creio que sim.


Quando a banda tocou Polícia, cover da banda Titãs, especificamente do álbum: Cabeça Dinossauro.


A nova turnê dos Titãs justamente celebra, neste momento, os 40 anos do álbum Cabeça Dinossauro, o disco que marcou a transição da banda de jovens músicos comportadinhos para jovens rockeiros, com um trabalho que transformou gerações e mudou a carreira do grupo. A nova turnê começa, inclusive, em seus primeiros minutos, com uma gravação no telão da carta recebida pela banda após Bichos Escrotos ter sido censurada pelo órgão: Divisão de Censura de Diversões Públicas.


É nesse mesmo disco que, na voz de Sérgio Britto, é cantada a música Polícia, posteriormente regravada pelo Sepultura no álbum Chaos A.D., onde Andreas Kisser e Max Cavalera dividem os vocais da faixa, inclusive, com uma interpretação mais intensa, novas palavras e reproduzida diversas vezes ao longo da trajetória da banda.


Quando Sepultura se apresentou do Pinkpop em 1996


O registro do Pinkpop Festival, assim como o de Barcelona, talvez seja um dos mais emblemáticos da trajetória do Sepultura. Em um festival totalmente alternativo, aquela edição ficou marcada nos palcos pela presença de duas potências agitadoras: Rage Against the Machine e o próprio Sepultura.


Com uma estética de “grunge latino”, a banda sobe aos palcos usando camisas de times, instrumentos de percussão brasileira e um set inteiramente montado a partir da turnê de Roots. Sepultura leva aos palcos europeus uma representação cultural do Brasil diante de um público extenso que, ao longo de três dias de festival, presenciaria uma apresentação completamente latino-americana.


Quando Sepultura anunciou Sacred Reich como uma das bandas do último show


Me surpreendeu bastante ver o nome do Sacred Reich no cartaz. Para os fãs de Thrash Metal, a banda não é apenas uma banda lendária do gênero, com letras extremamente politizadas, como também seu posicionamento atual não engana ninguém.


Do merch com frases como “Fuck ICE” até faixas notórias como The American Way e o próprio EP Surf Nicaragua, o uso irônico do American Dream se torna uma sátira constante ao longo de quase 40 anos de banda. Aliás, o que será que o Sacred Reich acha dos brasileiros que falam que não há necessidade de falar sobre política? Renderia bons tracks.


O Roots inteiro


Roots não é apenas um dos discos mais conhecidos da música brasileira, mas também um álbum que, durante mais de uma hora, aborda não só a temática indígena, como também a visibilidade gerada por suas gravações com o povo Xavante.


Em um país onde, até os dias atuais, a pauta dos povos originários permanece em baixa, e onde anualmente vemos discussões sobre invasão de terras pelo garimpo e pelo agronegócio, a relevância de Roots está em entender de onde os brasileiros vêm e na importância da conscientização de que esses povos existem e fazem parte da nossa cultura. E tudo isso, está visível em um dos álbuns mais relevantes e vendidos de forma internacional.


Todas as vezes que Sepultura dividiu palco com Titãs, Ratos de Porão, Zé Ramalho.

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Por Beatriz Jarry

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