A força do rock fora do eixo: Cajá Rock chega à 29ª edição como símbolo de resistência cultural no Sertão Paraibano
- mortiferamag
- há 4 dias
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Falar de interiorização do rock, sem dúvidas, é um grande obstáculo. Quando há um debate dentro da capital sobre apoio à cena, além do eixo da cidade de João Pessoa, o Rock Paraibano é voz para vários habitantes do interior e do sertão do estado que resistem há anos, sendo um dos precursores o festival Cajá Rock
Em 1997, um entusiasta headbanger dava início ao que seria um dos grandes passos para o cenário do rock no sertão. Bem distante das grandes capitais, o Cajá Rock nasce a partir da iniciativa de Osvaldo Moésia (Baião d'Doido), com o objetivo de fortalecer ainda mais o que ocorre na cidade de Cajazeiras e em toda a região ao redor.
A cidade, também alvo da pesquisa do historiador Didier Júnior, que atualmente divulga o livro Canções e Tensões Apocalípticas, aborda uma das bandas fundamentais ao se falar do rock da cidade, principalmente sobre seu (quase) debut na primeira edição do Cajá Rock, ainda sob o nome Apocalipse (ainda não tinha "Conspiração" no nome): Crônicas, que depois viria a se chamar Danos Morais. Segundo Osvaldo, a banda cancelou nas vésperas da realização do evento.
"O Cajá Rock é um dos espaços de circulação musical mais importantes do Alto Sertão paraibano (...) Com o passar dos tempos, ganhando outras edições, esse vento serviu não somente para circulação das bandas, mas também de ideias e posicionamentos socioculturais. Um exemplo disso é que, a partir de 2003, o Cajá Rock passou também a produzir textos explicativos em formato de zines, o Rockaja, servindo para que o público consumidor tivesse acesso aos trabalhos produzidos pelas bandas de Cajazeiras e da região, além de trazer reflexões sobre as discussões sobre a história do rock em nível global", diz o historiador Didier Júnior sobre o festival.

Em 2026, o Cajá Rock chega à sua 29ª edição, consolidado como um dos festivais independentes mais longevos da Paraíba. Grande parte dessa história foi construída com - e sem apoio - de editais públicos de incentivo à cultura há quase três décadas, fortalecendo a produção musical autoral e a circulação do rock no Alto Sertão paraibano.
Durante esse período, o Cajá Rock reuniu artistas de diferentes regiões do país, transformando Cajazeiras em um ponto de encontro da música independente. A realização da 29ª edição conta com o apoio do Banco do Nordeste Cultural, Cine Centro Zé do Norte, Fotosssintética, IFPB – Campus Campina Grande, Pizzaria Nova York, Casa da Cultura Independente, Prefeitura Municipal de Cajazeiras, Secretaria Municipal de Educação de Cajazeiras e Setorial Cultura Rock.
Para Allysson Strad, guitarrista da The Bluesy Brothers, integrante da organização do festival e um dos porta-vozes de sua divulgação, o Cajá Rock vai muito além de um evento realizado em Cajazeiras. O festival tornou-se um intercâmbio entre diferentes cidades, integrando um circuito de festivais que conecta municípios como Sousa, Patos, Campina Grande e João Pessoa, fortalecendo a circulação de artistas e ampliando o alcance da produção musical independente.
"A vontade de fazer rock é sempre maior", resume Strad ao comentar a permanência do festival.
Homenagem para Sayro Braga
Designer gráfico e personagem relevante da cena local na criação de cartazes para festivais de música da região, Sayro Braga é o homenageado da edição de 2026 do Cajá Rock. Bom momento para relembrar, e f@d4-se arte de IA!

Protagonismo feminino também é pauta no Cajá Rock
Entre as ações que expandem a atuação do festival está o Rock D'Elas, roda de conversa criada para fortalecer a presença das mulheres na cena rock de Cajazeiras e do Sertão paraibano. O encontro reúne musicistas, artesãs, lideranças de movimentos sociais e mulheres atuantes na cultura para debater protagonismo feminino, produção artística e os desafios enfrentados pelas mulheres no universo do rock.
A iniciativa estreou em 2024 e retorna em 2026 com sua segunda edição, integrando a programação do festival. A proposta reforça o compromisso do evento com a diversidade e a construção de espaços de diálogo que acompanham as transformações da música independente, consolidando o Cajá Rock não apenas como um palco para bandas, mas como um agente ativo no debate sobre a presença feminina no cenário paraibano.
Programação Cajá Rock 2026 - Confira aqui
Sexta-feira (24/07), no NEC
19h – Rock Delas: bate-papo com as mulheres da cultura rock.
Em seguida – Esquenta do 29º Cajá Rock com as bandas: Trash Hunter, Marcos Fernandes e Dom Pegado.
Sábado (25/07), no NEC
19h – Shows com as bandas: 6×1 Rock Band, Alysson Strad, A Pulso e Zepelim e o Sopro do Cão.




