Entre indie, pós-punk e música brasileira, pianocoquetel apresenta o álbum “Que Coisa”
- mortiferamag
- 25 de mai.
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Entre relações afetivas, pequenos desgastes emocionais e imagens comuns do dia a dia, o álbum transforma situações ordinárias em canções diretas e íntimas

O novo álbum do Pianocoquetel acaba de ser lançado. Que Coisa, segundo disco do projeto idealizado por Felipe Brandão, radicado em Porto Alegre Canoas, aprofunda uma sonoridade que atravessa o indie rock, a música brasileira e o pós-punk de forma espontânea, cotidiana e sem excesso de abstrações. O trabalho aposta em canções que observam a convivência humana a partir de situações simples, concretas e íntimas.
Mais do que um álbum conceitual fechado, Que Coisa funciona como uma coleção de músicas sobre relações afetivas, amizades, silêncio, desgaste emocional e pequenos gestos que acabam definindo a forma como as pessoas se relacionam umas com as outras. Felipe Brandão define o disco como “reflexões sobre convivência e suas situações depois de chegar em casa e ficar em silêncio, talvez tomando um banho”.
A escrita do disco parte de uma busca por objetividade emocional. Ao invés de explorar sentimentos abstratos ou imagens distantes da experiência concreta, Brandão aproxima as letras de diálogos possíveis, pensamentos ordinários e observações reais do cotidiano. “Passei a sentir necessidade de eu mesmo ver a maior parte das coisas que escrevo ao invés de ficar torcendo pra que elas existam. Na maioria das vezes prefiro o objeto concreto mesmo do que explorar sensações que não conheço”, explica.
Essa abordagem aparece de forma evidente em “Baixa Manutenção”, faixa com participação da artista porto-alegrense Viridiana. “Na maioria das vezes prefiro o objeto concreto mesmo do que explorar sensações que não conheço. Isso me dá uma segurança maior pra dizer o que eu quero”, explica Felipe Brandão sobre o processo de composição do disco. A faixa transforma situações afetivas e desgastes cotidianos em imagens diretas como “Botar a cabeça no lugar / Não dizer nada pra machucar / Juntar os cacos / De luva pra não cortar / E à todo custo evitar / Acumular as mágoas”.
Musicalmente, o álbum aproxima referências da música brasileira dos anos 1970, pós-punk e indie contemporâneo, transitando entre nomes como João Donato, Lô Borges, Gang of Four, Television, Cate Le Bon e The Sound, sem abandonar um olhar involuntariamente conectado ao imaginário do rock gaúcho. “Nunca senti como se tivesse querendo afirmar minha identidade brasileira. Isso já tá ali. Eu apenas sou o que sou, vivo onde vivo e por acaso sou um brasileiro que vive no Brasil”, afirma.
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