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João Pessoa já me matou três vezes hoje e ainda são três da tarde: Entrevista com a Emerald Hill

Com o recente lançamento de “À Queima Roupa”, a banda paraibana fala sobre os bastidores do novo disco, os planos para a turnê e recepção da cena musical local



Após um ano marcado por turnês em diferentes cidades, a banda paraibana inicia 2026 ampliando horizontes para uma nova sequência de shows pelo Nordeste. Com um som alternativo marcado por letras que transitam entre sentimentos, desabafos e inquietações, o trio vem consolidando espaço na cena independente da região.


Na Paraíba, a Emerald Hill se destaca ao romper a bolha dos estilos predominantes no estado, dialogando com um público cada vez mais diverso e provocando outros públicos dentro da cena musical local.


E falando em provocação, a banda lançou recentemente ábum “À Queima Roupa”, trabalho que já abre caminho para novos lançamentos previstos ainda para 2026. Para conhecer melhor a trajetória, os planos e o processo criativo do grupo, conversamos com os três integrantes da banda: Gabriel “Bibi” (baixo e vocal), Catarina “Cat” (bateria e vocal) e Vitor (guitarra e vocal). Confira a entrevista completa abaixo.



Sobre a recém turnê com a banda Zambrotta, o que vocês podem compartilhar conosco sobre essa trajetória em diversas cidades?


VITOR: Eu acho que a turnê foi um sucesso. Foi o semestre mais agitado da banda em relação a shows, talvez da história da banda e eu acho que isso se deu muito ao fato de que a logística toda é muito mais fácil, muito mais amigável quando a gente tá dividindo ela com uma outra banda que também está engajada, que também está interessada em fazer esse fazer essa turnê acontecer, sabe? Acho que foi bom, acho que a gente chegou em muita gente que a gente não teria chegado, talvez. Permitiu que a gente tocasse em lugares que a gente não tinha tocado há muito tempo, muitos, muitos anos. Eu acho que pós pandemia a gente só tinha tocado em João Pessoa, se eu não me engano, e várias casas de shows e bandas que a gente não conhecia e alcançando pessoas que não conheciam a banda ou que conheciam e não tinham a oportunidade de assistir ao vivo. Eu acho que foi super positivo nesse sentido e espero que a gente faça outra em breve.


BIBI: Foi uma experiência incrível, que só foi possível pela união das duas bandas em torno desse objetivo comum. A recepção da turnê foi melhor do que esperávamos. Lotamos casas de shows mais de uma vez, tivemos uma resposta muito positiva do público e isso mostrou para a gente que existe espaço e demanda para a nossa música. Essa foi a primeira de muitas. Já estamos preparando a segunda parte da turnê para o próximo semestre, passando por capitais que ficaram de fora dessa primeira tour.


CAT: Foi muito doido, para mim em particular, foi a primeira vez que vivi um negócio desse, é muito divertido, dá um pouco de medo, as vezes é intimidador, enfim, um bombardeio de sentimentos, mas no geral muito gratificante principalmente poder fazer isso ao lado dos nossos irmões zambrotinhas que tanto amo.


A divulgação do “A Queima Roupa” segue ainda de forma intensa. Quero saber com vocês como está sendo a recepção do disco nas plataformas, redes, shows?


BIBI: Nas plataformas, não tivemos uma diferença muito grande. O número de ouvintes mensais segue praticamente o mesmo, mas acho que isso não reflete a verdadeira recepção do disco. Em todos os shows das cidades por onde passamos, vimos gente cantando nossas músicas, indo aos shows e realmente vivendo a experiência. Acho que isso demonstra uma demanda real que ainda é pouco refletida dentro das plataformas digitais. Esse álbum abriu muitas portas para a banda, especialmente em relação às possibilidades para o lançamento de um próximo trabalho.


O que vocês destacam desse disco em relação aos outros trabalhos da banda?


VITOR: Olha, eu acho que em comparação com os outros álbuns, ele tem uma espontaneidade que não era muito marca da banda até então muito pelo processo colaborativo. Acho que isso trouxe resultados diferentes, gerou músicas que a gente não poderia ter feito pelo nosso sistema anterior.


BIBI: Acho que é um disco mais punk e, por isso, acaba atraindo um público mais conectado com esse gênero e esse tipo de narrativa. É um disco verdadeiramente político, e isso tem se refletido diretamente na forma como ele vem sendo consumido.


CAT: Para além da música, eu diria a colaboração dos 3 mesmo. Eu gosto de dizer que foi o primeiro que os 3 participaram em TODAS as músicas e dá pra perceber isso tanto ouvindo as faixas pelos streamings da vida quanto no ao vivo. E em João Pessoa, como vocês sentem essa recepção do novo trabalho e da banda?


VITOR: Acho que em João Pessoa eu sinto de forma mais marcante o impacto dos shows mais recentes, lógico que incluindo as músicas do álbum novo, mas eu acho que o que realmente mais teve impacto em João Pessoa foram os shows acima de tudo. E acho que a gente estreitou muito laços com as casas de show que a gente tem na cidade. Como, por exemplo, Caravela mesmo. Caravela, Vila do Porto e General Store. A gente estreitou muito esses laços, que a gente tem esse reconhecimento como uma banda que tem um público fiel e que vai fazer eventos bem organizados e vai valer a pena pra casa fazer esses eventos soar. E, ao mesmo tempo, outros espaços também, como a Música Urbana, por exemplo, que a gente sempre foi muito bem-vindo, mas é um espaço que a gente adora tocar. A recepção de uma pessoa é principalmente nesse lado profissional, com colegas da área, esse estreitamento de laços.


BIBI: Finalmente estamos recebendo convites para tocar, especialmente do pessoal da velha guarda. O reconhecimento demorou, mas chegou.


CAT: A gente conseguiu sair um pouco da nossa bolha, alcançou outras pessoas, de públicos diferentes, inclusive que eu nunca imaginaria que fossem escutar Emerald Hill (risos), e isso é muito foda!! kkkk


Qual música vocês destacam do disco?


VITOR: Cara, eu destaco Av. Sapé. Eu me arrependo profundamente da gente não ter lançado essa música como single, porque ela merece essa atenção a mais. (...) E eu acho que Av. Sapé, tendo saído ali como single, talvez teria chamado mais atenção. Ela tem essa dinâmica mais mais pop, mais catchy, que a gente podia ter explorado mais. Essas partes são sempre um ponto alto dos shows.


BIBI: Acho que “Você Não é Criativo” é uma música muito forte, e fico feliz que a Catarina esteja mais ativa no processo de composição. Além dela, gosto muito de “Uma Ideia Antiga” e “Av. Sapé”.


CAT: Av. Sapé e Santa Cecília as duas por que eu lembro o exato momento que a gente deu de fato luz a essas duas, e foram momentos que não sei dizer mas me marcaram muito.


Ouça aqui "Av. Sapé":




E da trajetória da banda, vocês consideram alguma música como uma marcante na trajetória da banda?


VITOR: Cara, eu acho que sempre tem... Eu acho que a mais marcante é, obviamente, João Pessoa. Porque até hoje, a gente lançou ela como single em 2018, e ela ainda é a música mais ouvida da banda por uma distância enorme. Eu imagino que porque é uma música muito pop, e tem essa produção super pop ao mesmo tempo que eu acho que a gente foi beneficiado pelo SEO. Ela teve esse retorno muito positivo pra gente ao longo dos anos, porque a gente sempre recebeu muito carinho de ter feito essa música. As pessoas adotaram ela no léxico de uma certa forma e isso é o maior impacto que você pode imaginar pra uma música, sabe? “Me matou três vezes hoje e ainda são três da tarde”, as pessoas falam isso pra mim, tipo, todo mundo faz essa piadinha, sabe? Não sei, acho que outras músicas foram muito importantes nesse processo, Feliz Aniversário é uma música importante pra história da banda, em parte porque foi o primeiro single depois do primeiro álbum, depois de um bom tempo, depois ali da pandemia, finalzinho da pandemia. E também, porque eu acho que expandiu um pouco o que a gente é, o que a gente pode fazer. E que também tem uma recepção muito positiva até hoje.


Consigo imaginar a intensidade da Emerald em diversos festivais, mas qual vocês gostariam de fazer parte?


VITOR: Cara, festival? Festival que faz sentido pra Emerald? Eu acho que o que eu consigo pensar seria um festival estilo bananada, por exemplo. (...) Mas eu acho que ainda assim, eu não acho que é uma realidade que faz muito sentido pra gente. Eu acho que a gente precisa tocar com nossos pares. Na minha cabeça, o Bananada é o festival que mais tem esse contato com os nossos pares.


BIBI: Queremos muito tocar no EMO Fest, em Salvador, que o pessoal da NHL organiza. Também poderia citar o Coquetel Molotov, mas acho difícil convidar uma banda paraibana. O pessoal de Recife ainda chama pouco as bandas da Paraíba para tocar por lá


CAT: Literalmente qualquer um que chamasse. Festival é muito massa em todos os sentidos.


Para encerrar, quais são os planos para o segundo semestre?


BIBI: Queremos tocar em Fortaleza, Salvador, Aracaju e, quem sabe, chegar também ao Sudeste. Além disso, queremos lançar pelo menos mais um single.





 
 

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Por Beatriz Jarry

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