Os caminhos de IV: Entrevista com a White Canyon and the 5th Dimension
- mortiferamag
- 29 de abr.
- 4 min de leitura
Geralmente, quando o ano se aproxima do fim, a tarefa de eleger os dez melhores discos costuma ser das mais difíceis e a White Canyon tornou essa escolha mais simples já no mês de abril

Tudo começou com a audição de Howling Pines, faixa presente no trabalho anterior da banda, Gardeners of the Earth (2023), da White Canyon and the 5th Dimension. A construção cuidadosa das faixas, a atmosfera criada ao longo do disco e a identidade sonora muito bem definida fizeram daquele álbum uma introdução, posso dizer até que bela ao universo do grupo.
Agora, em 2026, a banda eleva ainda mais o nível com o lançamento de IV, um álbum ainda mais denso, maduro e envolvente. Admirar esse trabalho apenas à distância não parece suficiente. Por isso, a Mortífera Mag. convidou o grupo para uma breve conversa. Confira, a seguir, a entrevista na íntegra.
Falando um pouco sobre o mais recente lançamento, o que vocês podem compartilhar conosco sobre a produção do disco? Incluindo o processo de composição e até mesmo a escolha visual para o álbum.
Seguimos mantendo nossa fórmula, Léo encabeçando as melodias e a Gabi letrando, mas dessa vez com algumas colaborações especiais. As inspirações vem de nossas bagagens culturais, experiências e nosso cotidiano aqui na roça mística de São Thomé. Eu e o Léo estamos juntos a literalmente metade da minha vida, Então é como se funcionassem por simbiose mutualística rs. Muito do que fazemos não é conversado e combinado, cada um faz sua parte e quando juntamos é perfeitamente compatível.
Algumas composições trabalhamos juntos do inicio ao fim. Neste álbum tivemos a colaboração do nosso amigo e baixista, Rafael Colovatti criando as linhas de baixo na maioria das faixas. Tivemos também a colaboração de um amigo de outros oceanos, Martin Ludl, de Viena na Áustria que gravou os saxofones remotamente na faixa Alumia Part 2.
Quanto a parte visual, também nasceu dessa nossa simbiose. Léo é um pesquisador ávido de registros de domínio público e em uma de suas buscas, se deparou com as obras do pintor italiano Salvator Rosa, que retratam satiricamente o preparo das bruxas para o Sabbath. Dividido em quatro pinturas: morning, day, evening e night.
Essa série cresceu nos nossos olhos pois retrata processos.
Sendo estes apresentados de uma forma fantástica, com elementos caóticos e bruxas corriqueiramente fazendo o inimaginável, dominando a natureza indomável.
Nos trás uma visão filosófica sobre o ciclo da vida, e esses são elementos muito presentes em nosso trabalho.
Escolhemos a pintura "day" para capa do nosso álbum e a "evening" para capa do nosso 7 polegadas. A partir disso, Léo me entregou referências para o design e eu criei a ilustração e a fonte e por fim, ele finalizou o design. Nossa colaboração se mistura, se completa em todas as esferas do universo WC&t5thD.
Ainda sobre o IV, qual música vocês destacam no disco?
Alumia parte 2, com certeza! Quando ouvi o esboço da melodia com ritmos de baião já sabia que ela tomaria um caminho diferente das nossas outras.
Senti que ela pedia uma composição em português, e a partir daí, elementos de brasilidade, como a percussão mais presente, foram se somando e se transformando em algo que nos representa, mas feito de uma forma nova.
Como banda vejo que vocês tem diversos elementos constantes abordados com questões mais conectadas a natureza, universos, como se fosse uma pegada temática mais “além” em seus álbuns. Quais temáticas vocês acham cruciais ou que inspiram de alguma forma a construção dessas composições?
Temáticas que remetem ou se referem a natureza, cosmologia, hermetismo e espiritualidade são temas recorrentes em nossas composições ao longo de todos nossos álbuns, pois são intrínsecas com quem somos. Elas são fonte de inspiração não apenas nas canções mas na forma que nós vivemos. O mais interessante é que esses temas são infinitos pois contém muitas camadas de interpretação. No livro O Caibalion tem uma citação "os lábios da sabedoria estão cerrados, exceto pelos ouvidos do entendimento". Ou seja, por mais que você estude e compreenda algo nesse momento, ao reler e ouvir novamente pode ter outra interpretação, já que sua bagagem de experiências, junto do tempo, evoluiu.
Como vocês definiram o som da banda?
Rock Psicodélico, com influências em gêneros como post punk, shoegaze, space e stoner.
Se lembrar de mais algum por favor nos avise, as outras pessoas parecem ter muito mais facilidade de definir nossa sonoridade que nós mesmos. Nossa única preocupação é criar em sintonia com nossa verdade.
Como surge o nome White Canyon and the 5th Dimension?
Além de na época eu não saber tocar nenhum instrumento, nosso estilo de vida (tentar sobreviver) como CLT em São Paulo não era possível fazer esse movimento.
Após ouvir o chamado de nos mudar aqui para São Thomé das Letras, as coisas foram fluindo, daquela maneira que quem tem experiência com a espiritualidade conhece, cheio de sincronicidades, pessoas certas entrando em nossas vidas nas horas certas.
Graças ao ócio que nosso novo estilo de vida nos proporcionou, pudemos brincar, experimentar e forma totalmente despretensiosa e íntima, fazer música.
Somadas todas as composições montamos nosso primeiro álbum e com ele a vontade de compartilhar com amigos, recebendo apoio e elogios ganhamos confiança para subir nas plataformas e talvez em busca de um selo.
Dali pouquíssimo tempo nos indicaram enviar nosso álbum para um selo do Perú, Necio Records, que lança artistas de toda LATAM e fomos extremamente bem recebidos, recebemos a proposta de materializar o álbum em vinil, oficializando que rumo tomaria essa "brincadeira".
Após o lançamento do mais recente disco, já existem planos para turnê ou shows de lançamento do álbum, até mesmo falando de planos para 2026?
Estamos nos planejando para alguns shows, com a chegada dos LPs, no segundo semestre do ano. Estamos montando uma tour pelo Brasil e também Chile. Tentar abranger o máximo possível de cidades e levar esse novo repertório pra estrada. Fiquem atentos!



