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Quando a música rompe padrões coloniais: a potência da Arandu Arakuaa no Metal Nacional

Enquanto o debate entre composições em inglês e português domina as redes, uma banda brasileira rompe padrões ao cantar em tupi-guarani


Nas últimas semanas, a discussão sobre composições em inglês e português tomou conta das redes sociais, mobilizando páginas, influenciadores e parte da mídia em debates que atravessam diferentes vertentes do Rock, do Indie ao Metal Extremo. Embora o inglês seja reconhecido como uma língua universal e de amplo alcance, reduzir a discussão musical apenas a esse ponto é um argumento apenas vasto.


A música também é pertencimento, identidade e território. Quando um projeto artístico nasce a partir de referências culturais próprias, ele não apenas dialoga com públicos diversos, mas amplia as possibilidades de troca entre diferentes regiões, povos e tradições, especialmente na era digital. A troca cultural não se dá apenas de um país a outro, principalmente dentro do Brasil, onde cada região tem uma característica extremamente peculiar. E principalmente, para gerar essa troca de ideias entre regiões e no momento que você passa a falar e citar sua cultura como referência para seu projeto, não é o inglês que irá dialogar.


E indo além do debate, aprofundando mais a cultura e a linguagem, uma das melhores referências atuais de originalidade, inclusive de AULAS, é a Arandu Arakuaa. Foi a partir de uma entrevista bem interessante com a Riot Grrrande do Sul - que inclusive é uma página com um repertório musical imenso de mulheres, américa latina e indígenas - onde a banda sintetizou sua proposta em uma fala marcante: “Não vemos isso como inovação no sentido de “criar algo novo”, mas talvez como um ato de coragem de romper com esse padrão colonial de pensamento”. 


Foto: Fest Rock Brasília/Bené França, Ana Paula
Foto: Fest Rock Brasília/Bené França, Ana Paula

Um heavy metal com instrumentos indígenas, nesse último ano, a banda lançou seu último single “Sekwa” (2025), cuja tradução significa “pajé” no idioma Xerente, disponível em diversas plataformas. Zândhio Huku, fundador e vocalista da banda, descreve o conceito de “Sekwa” como uma celebração da sabedoria dos pajés e um chamado à preservação das culturas indígenas. Zândhio também reafirma em suas falas a luta pela identidade cultural, resistência indigena e preservação ambiental, citando inclusive na divulgação do último single: “A importância de respeitar e valorizar os conhecimentos do pajé, liderança espiritual que, infelizmente, tem perdido espaço para as igrejas cristãs. Os conhecimentos do pajé são uma força vital que ajuda os povos indígenas do Cerrado a manterem sua relação simbiótica com o meio ambiente e resistirem à destruição promovida pelo capitalismo,” afirma para a Rádio Yandê.


Formada em 2008 em Brasília, a banda nas composições predomina nos idiomas Tupi, Xerente e Xavante, com temas inspirados nas lendas, ritos e lutas dos povos indígenas do Brasil. A Arandu Arakuaa em tempos onde o digital e o capital formulam um padrão do que deve ser consumido em um cenário musical, resiste em um ambiente que não apenas reforça a cultura, de fato, brasileira, como também viabiliza a pauta indígena.


Ouça aqui:




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