Já consigo sentir, à distância, as vozes das redes sociais e seus comentários, como: “mas faltou ciclano e fulano, ABSURDO!”, o que acho engraçado toda vez que invento de fazer uma lista por aqui. Porém, bem que poderíamos usar este espaço para deixar em aberto uma reflexão: para mim, quais artistas/bandas revelação do Nordeste eu gostaria de destacar? Foi assim que pensei em trazer apenas 3 por hoje (é feriado, me poupem também). Vamos lá! Para começar, vou iniciar com alguém da minha cidade: a FlauFlau. Uma grande artista aqui da Paraíba, que inclusive, quero logo escrever e citar como revelação, abrir os olhos de produtores por aí e depois apenas dizer: “de nada”. Antes mesmo da estreia do álbum Íntimo Oriental, ela já havia captado minha atenção pelo single Ultraviolenta, acredito que ambos lançados pelo selo Dosol. Este ano, pude convidá-la para um show, no qual ela topou tocar, e, com o tornozelo quebrado, no hospital, após cair do palco e resolver beijar o chão da casa de show (eu), eram mensagens e mais mensagens no meu celular de pessoas ainda no evento dizendo: “show de Flau é muito bom”. Costumo dizer que Flau é o combo completo do que o público jovem nordestino quer nos dias de hoje. É um trabalho que, no eixo Sul-Sudeste, se expande muito por uma proposta mais voltada ao Indie-Pop-Alternativo, mas que aqui se encontra de forma mais precária. Então, a movimentação que Flau traz é uma certa “esperança”, pelo menos nas redondezas da Paraíba onde me encontro, para que exista realmente uma cena em movimento. Não digo que não há, Emerald Hill e outros nomes carregam isso intensamente pelo estado, mas esperamos, de verdade, que a cena Rock seja tomada por eles. Indo para estados vizinhos, me deparo com um novo trio mais voltado à experimentação, ao Pós-Rock e ao improviso: nasce a Mayara, Iara e Dimitria, em Pernambuco. Me deparei com uma postagem do Alexandre Matias (Trabalho Sujo) que explica, por cima, um pouco do projeto, bem recente, inclusive. Algo que surgiu de uma jam e se tornou, de fato, uma banda, chegando aos palcos em outras apresentações incríveis do Rock Moderno Nacional, como a turnê das bandas Test e Deaf Kids. É uma banda que coloco em um patamar de revelação porque eu, você e todos nós aqui da região sabemos como funciona a valorização e a raridade com que aparece um projeto que faz você pensar: “wow, agora sim”. Há muito o que esperar desse grupo, muitos trabalhos que esperamos ver sendo lançados. Continuando, em um papo com a Brisa Rec, porque sabemos da importância de expandirmos pelo Nordeste, fui recebida com diversas indicações maranhenses muito legais, que pude escutar com bastante carinho e cuidado. Inclusive, Babycarpets está me interessando bastante; quero acompanhar os próximos passos. Mas, de toda a lista, terminei em uma faixa: Peso de Sísifo, da cantora Nicole Terrestre. Piauiense que mora em São Luís, ela navega entre rock, soul, jazz, MPB e tantas combinações que é difícil definir a artista em uma só categoria. A faixa faz parte de seu álbum, previsto para o segundo semestre. Minha reação a essas artistas é apenas um “absurdo”, mas em um sentido muito bom.