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Entrevista: Conheça o "recomeço" da TREVA LVCE

Com raízes no hardcore do Confronto, a banda Treva acaba de evoluir para TREVA LVCE e apresenta “Recomeço”



Há momentos em que uma banda não apenas lança uma nova música, mas também apresenta ao público uma nova versão de si mesma. É nesse cenário que a TREVA LVCE surge com “Recomeço”, single lançado nesta terça-feira (18/08).


Com raízes no hardcore brasileiro e referências que atravessam o punk, o folk e o rock, a banda constrói em “Recomeço” uma canção sobre seguir adiante, romper ciclos e encontrar forças para começar novamente. Para saber mais sobre a faixa, estágio da banda e planos, conversamos com o vocalista e fundador Felipe Ribeiro.


Sobre o single “Recomeço”, o que você pode compartilhar conosco sobre a produção/composição da faixa?


Por incrível que pareça é uma música que foi escrita a alguns anos atrás, em 2022, se não me engano. Eu já tinha ela praticamente toda escrita e faltavam alguns ajustes que foram acontecendo aos poucos. letra eu escrevi pensando em m grande parte na minha trajetória de vida, dos tempos em que eu morava na Baixada Fluminense, periferia do Rio De Janeiro, e os caminhos que me levaram a ter a chance de vivenciar tantas outras realidades da vida.


Acho que o pós pandemia me ajudou a conectar certos pontos entre as coisas que ficaram pra trás e a reconstrução de uma nova realidade onde a música foi a ferramenta principal em todo esse processo. Quando eu terminei de escrever e fui colocando s melodia eu tive a certeza que seria uma música que daria o tom daqui que eu gostaria de transmitir com a TREVA LVCE, porque nela tem todos os elementos que eu valorizo no tipo de som que a gente faz; a energia, a melodia, a verdade cantada, a intensidade que tentamos colocar nela, tudo isso são aspectos que eu valorizo muito e sempre vou manter nas músicas que fazemos.


Gravamos no Bay Area Studio aqui em SP, com a produção do Diego Rocha e conseguimos acrescentar muitas ideias a identidade da banda, mantendo as guitarras bem orgânicas, acrescentando piano e Hammond, pra que tudo soasse de uma maneira vintage, porém, contemporânea.


Capa Single "Recomeço"
Capa Single "Recomeço"

O trabalho abre portas para um futuro EP/Álbum?


A ideia é pavimentar o caminho pra um álbum completo que, inclusive, já está todo composto, mas que ainda não gravamos. “Recomeço” dá um pouco do tom do que vamos apresentar mais pra frente.


Mas já posso afirma que ainda esse ano lançaremos mais uma música nova e, em meio a esses lançamentos, entraremos em estúdio pra gravação do full álbum que será lançado em 2027. Ainda temos algumas coisas bem legais pra esse ano. Vem novidades!


Agora a banda passou ser Treva Lvce, o que você pode nos dizer sobre essa transição do nome?


Então, eu brinco dizendo que na verdade nos apresentamos um sobrenome a banda. A banda foi idealizada em meio a pandemia, então, quase que inconscientemente ela traz esse retrato daquele período e o nome simbolizava muito daquele momento.


Mas assim, a mudança no nome se deu por alguns fatores como, por exemplo, o fato de já existir uma banda com o nome Treva. Então, por causa disso eu estava tendo problemas pra registrar o nome.


Outra coisa que também pesou, foi o fato que, de certa forma, as pessoas associavam o nome da banda a um tipo de som que não é o que a gente faz. Algumas pessoas ligavam a um tipo de rock mais pesado, Stones, ou mais pro lado do heavy metal, e a banda nunca foi influenciada por nada nesse sentido. Nunca foi a nossa intenção. Mas o que mais pegou pra mim, é que desde o começo eu gostaria que fosse um nome de gênero feminino, e quando acrescentamos LVCE ao nome eu acho que conseguimos exatamente aquilo que queríamos desde o começo, na medida certo.


“Lvce” é uma das formas de se referir a palavra luz em latim e eu acho um nome muito bonito, soa poético. Eu amei isso.


As temáticas da Treva envolvem muita a questão sentimental/emocional. Quais são as principais mensagens que vocês querem passar?


De fato elas trazem uma carga pessoal muito grande, admito. Alguns temos são muito alto biográficos, porque eu sempre faço questão de trazer verdades pra aquilo que está sendo transmitido com a música. Eu gosto de músicas que trazem sentimentos reais.


E no caso da TREVA LVCE, eu conecto isso com questões que dizem respeito a nossa sociedade como um todo. Um rock que foi fundamentado na música preta, anotado por uma pessoa preta vinda da periferia do Rio de Janeiro, com as alegrias, tristezas, inseguranças, conquistas, amores, conquistas, perdas, lutas, que fazem parte não apenas da minha história de vida, mas de muitos que trilham caminhos semelhantes em tantas partes do Brasil.


Acho que é a expressão da vida como ela é, e de como ela funciona pra muitos de nós. A música tem esse poder, né? Ela é capaz de te levar a outras realidades, tirar você de caminhos perigosos e de te transportar pra lugares que pareciam impossíveis. A música, desde sempre, principalmente nos somos frutos da pobreza, foi utilizada pra amenizar dores e sofrimentos, desde os cantos dos escravos até os sambas feitos nos morros. Então, a TREVA LVCE tenta fazer da melodia do rock esse esse canto de libertação.


Como foi essa transição de uma banda de hardcore (Confronto) para uma mais melódica (Blues/Punk)?


Por incrível que pareça, pra mim foi muito natural, porque já era um tipo de música que eu sempre ouvi e gostei. Pode parecer uma mudança brusca pra quem é de fora, mas pras pessoas que conviviam comigo era algo muito matura que em algum momento iria surgir. Eu sempre gostei de escrever e compor.


Eu já escrevia e compunha muitas coisas do confronto e, paralelamente a música que fazíamos aquela época, eu sempre ouvi muita música brasileira como Cassiano, Jorge Ben, Banda Black Rio, Tim Maia e muitos outros.


Alem disso, sempre fui amante de folk music e americana. Bob Dylan, Johnny Cash, por exemplo, sempre fizerem parte da minha vida e são grandes influências pra mim. E como as minhas origens são do punk e hardcore, eu sempre fui muito ligado a bandas como Bad Religion, Social Distortion, Face to Face, CPM22, Garage Fuzz, Zander, entre outras. Eu apenas fiz a loucura de tentar juntar todos esses universos! Isso é a TREVA LVCE! Haha


Quais são os planos para esse segundo semestre de 2026?


Trabalhar firme no lançamento de “Recomeço”, já preparar o lançamento do próximo single que deve acontecer nos próximos meses e fazer muitos shows! Vamos tocar até dezembro e, em meio a tudo isso, entrar em estúdio pra gravar o nosso segundo álbum que está com todas as músicas prontas.


E já adianto que esse segundo álbum vai nos dar muito orgulho, porque ele vai se lançado de uma maneira muito incrível! Podem esperar!! Ah! Inclusive, já estamos preparando a nosso primeira ida ao Nordeste pra alguns shows em várias cidades muito legais! Ligar que amamos desde sempre! Nos esperem, por favor!


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Por Beatriz Jarry

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