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Water Rats volta às raízes do garage punk em Macrodose: Entrevista com Capilé

Depois do lançamento de "Robert Flag", Alexandre Capilé amplia a conversa sobre o próximo disco da Water Rats


Foto por Lucca Miranda
Foto por Lucca Miranda

Faltando poucos dias para a chegada de Macrodose, quarto álbum de estúdio da Water Rats, a banda antecipou o lançamento com o single "Robert Flag". A faixa apresenta parte da sonoridade que marca o novo trabalho, descrito como um retorno às raízes sem abrir mão da maturidade conquistada em 12 anos de carreira.


Em conversa para a Mortífera Mag, Alexandre Capilé revelou detalhes do disco, falou sobre seus múltiplos projetos e revisitou capítulos importantes de sua trajetória. Leia a entrevista completa abaixo.


Para começar, já vamos logo de lançamentos e novidades: a Water Rats. Tem disco chegando por aí, o que você pode nos dizer sobre o Macrodose, se há algo novo que podemos esperar em comparação aos outros discos da banda?


Sim, dia 23/6 chega o quarto disco de estúdio do Water Rats, o Macrodose. Ele foi gravado em duas sessões diferentes, uma no final de 2024 e a outra em junho de 2025. Na época da primeira sessão a idéia era ser um EP, mas logo decidimos fazer mais uma sessão de gravação e transformar em album.Tudo foi gravado ao vivo, os takes do disco são praticamente os que acertamos, a gente tem um processo bem imediatista. No Water Rats a gente gosta de fazer tudo de forma bem crua, nesse disco buscamos voltar mais as raízes e também usar todo lado mais alternativo que carregamos de conceito. Gravamos 18 músicas e vamos lançar 14. Todas inéditas. Comparado aos outros álbuns esse disco mostra mais nossa maturidade com o som que desenvolvemos durante todos esses anos de banda, sempre na raiz garage punk, mas agora com os ensinamentos de uma banda de 12 anos de estrada. 


Para antecipar a estreia do álbum, o single “Robert Flag” já está rolando. O que você pode nos dizer sobre o processo de gravação e composição da música?


Eu trouxe esse riff pra banda, começou com esse acorde bem dissonante que me inspirou pra fazer o som, depois acabei desenvolvendo um riff meio AC/DC - Black Flag, uma onda que é legal do WR é que misturamos muitas referências. Depois que trouxe pro estúdio toda banda criou o arranjo junto, a letra foi criada durante o processo de gravação, sempre na pegada de humor meio ácido, nessa brincamos com a dualidade de Robert, que gosta muito de Zeppelin e Black Flag.


Ouça aqui:




Além da Water Rats, você tem uma presença muito ativa em outras bandas. Como que tá nesse momento para conciliar esses diversos trabalhos? Em algum projeto que você acredita que exista um desafio maior?


Tá difícil rs, mas ao mesmo tempo é o que me move a vida toda. Nesse momento as minhas 3 das minhas 4 bandas estão ativas e com shows marcados por todo Brasil, tô fazendo malabarismo pra conciliar tudo, mas cada uma tem seu momento de prioridade, só assim pra dar certo. O maior desafio é trocar o personagem, pois sinto que em cada uma eu sou um integrante diferente, às vezes trocar de um show pro outro me confunde um pouco, mas eu amo. O desafio é bem parecido em todas, as que canto sempre tem uma responsabilidade maior, mas no Camarones Orquestra Guitarrística (onde só toco guitarra) o desafio é ser um guitarra solo, coisa que não sou especialista.


Inclusive, você tocou em 2016 ao lado da Water Rats no Primavera Sound de Barcelona. Como foi essa experiência?


Foi algo que nunca esqueceremos, a gente na época nem sábia direito a relevância do festival, só sabíamos que era um festival grande em Barcelona onde a gente ia fechar nossa tour da Europa naquele ano. Quando chegamos lá entendemos que era algo muito maior do que a gente pensava e tocamos com bandas que nunca imaginaríamos no mesmo dia, como Radiohead, Savages, Ty Segall, Tame Impala... inacreditável. Além do show no festival, no dia seguinte tocamos no MACBA, museu de arte conteporânea de Barcelona, num evento paralelo do Primavera, esse show foi o melhor de todos, dividimos o palco os brasileiros do O Terno, Inky e Aldo The band e com os gringos do Mudhoney e Black Lips... sonho realizado.


Você também tem diversos trabalhos que assina como mixagem, produção, gravação. Quais projetos desses últimos meses ou ano (2025), que você destaca?


Sim, meu "day job" é o Estúdio Costella onde eu trabalho ao lado do Gabriel Zander. Esse ano de 2025 a gente já fez muita coisa legal. Produzimos, gravamos e mixamos o novo album da Chococorn & The Sugarcanes, 3 músicas novas do Thunderbird, disco novo da Space Greese, EP novo do Deb And The Mentals, EP novo da banda do Edgard Scandirra com Chuck Hipolitho, disco novo da banda Magnólia, disco da banda Anônimos Anônimos... fora uma porrada de singles e eps que fugiram a cabeça agora. O estúdio não para.


Voltando um pouco e focando na Sugar Kane, inclusive grande projeto do hardcore nacional, como você enxerga o atual momento da banda no cenário?


O Sugar Kane vive um momento consolidado a meu ver, nossos "altos e baixos" não são mais tão drásticos como já foram, a gente ta numa gravadora legal, com público fiel em todo Brasil e tem rodado bastante. A persistência acaba te reservando um lugar legal, acho que sentimos isso e vivemos muito bem essa conquista. Internamente a gente ta super bem e já começamos a compor nosso décimo disco de estúdio, que deve sair no ano que vem. Esse ano também faremos uma tour comemorativa dos 25 anos do disco "Por Nossa Paz".


Para dar uma descontraída, se você pudesse escolher um festival (nacional ou internacional) ou alguma banda em turnê para tocar agora em 2026. Com quem ou onde você escolheria?


Gostaria muito de fazer uma tour na Australia com o Water Rats, acredito que lá existe um público que entende bem a gente. Se fosse fazer isso adoraria tocar com o Amy and The Sniffers.





Sugestões de pautas, ideias e releases: entre em contato conosco.

Obrigado pelo envio!

Por Beatriz Jarry

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