Feliz e triste ao mesmo tempo: novo EP e entrevista com Exclusive Os Cabides
- mortiferamag
- há 3 dias
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Com sete faixas e resultado de um ano intenso de digressão, a banda Exclusive Os Cabides lança nesta sexta-feira (22/05) o EP Feliz e triste ao mesmo tempo

Formada em Florianópolis, com referência setentistas, internacionais e de cena independente, a Excluise Os Cabides chega a uma nova fase com o EP Feliz e triste ao mesmo tempo lançado nesta sexta-feira (22/05).
O trabalho surge após um período intenso de circulação pelo Brasil durante a turnê de Coisas Estranhas (2024), disco que ampliou significativamente o alcance do grupo e colocou a banda no radar de novos ouvintes da cena alternativa. O novo EP aponta para uma sonoridade mais direta, urgente e dançante, aproximando ainda mais a energia dos shows do universo de estúdio.
Para conhecer mais sobre os novos lançamentos, o processo criativo e a trajetória da banda, a Mortífera Mag. preparou uma entrevista especial com os integrantes da Exclusive Os Cabides. Ao longo da conversa, o grupo se aprofunda nas ideias por trás do EP Feliz e triste ao mesmo tempo, fala sobre o single “Bicicleta”, a experiência intensa na estrada e os próximos passos dessa nova fase da carreira.
Confira a entrevista completa:
Falando um pouco sobre o single “Bicicleta”. Queria que vocês compartilhassem conosco sobre a produção, inclusive se for possível, contar um pouco mais desse momento que deu inícios ao processo de composição da faixa.
João: Em uma das viagens que tivemos com a banda para SP tivemos a ideia de fazer um EP com uma pegada mais crua “tipo ao vivão” e com uma pegada mais punkzinha estávamos com bastante saudade de ir pro estúdio e teríamos um tempo vago de shows após o final do ano e botamos essa ideia do E´P em prática e bicicleta é o single desse projeto. Gravamos bateria, baixo e guitarra base depois passamos para guitarra solo e overdubs depois passamos o som na fita. Gravamos no estúdio ouié na praia da armação aqui em floripa, além de sons analógicos a gravação foi regada a banhos de mar e visitas a lagoa do peri.
Antônio: João escreveu essa música lá por 2018-2019 se não me engano, saímos uma noite eu, ele e mais um amigo para tomar cerveja e no local tinha um palco aberto, com o clima da noite esquentando João se empolgou e subiu no palco aberto e improvisou essa música que depois veio a se tornar uma musica oficial cabides. No ano passado em nossa primeira tour (2025 coisas estranhas) que fizemos mais de 40 datas a música já estava inclusa no set dos shows, então por já estarmos tocando ela por um ano direto ao vivo achamos que seria uma boa ideia usar ela de single para esse novo EP.
O que vocês podem nos dizer sobre o EP que será lançado? Vocês acreditam que será uma pegada diferente em relação aos outros trabalhos da banda?
João: Esse ep tem uma pegada mais rockeira mesmo, reflete bastante o jeito que a banda toca. Não é rebuscado em questões instrumentais mas os arranjos foram simples bem pensados e bem produzidos. Acho que minha música favorita é a “Fazer qualquer coisa hoje” que na letra carrega o título do álbum “feliz e triste ao mesmo tempo”.
Antônio: Dessa vez, tenho duas composições nesse lançamento, sendo elas “Gaita em formato de trem” e “Espirros infinitos”, nos outros discos “Roubaram Tudo” e no “Coisas Estranhas” eu colaborei com 1 composição em cada. As músicas estão mais porradinhas mas ainda vejo semelhança com o “coisas estranhas”.

A capa de Feliz e triste ao mesmo tempo nasceu de um processo colectivo que partiu de esboços iniciais de João Pretto e evoluiu em diálogo até ganhar forma no digital pelas mãos de Gustavo Ramires. Ao longo do processo, as ideias foram sendo desenvolvidas com recurso a texturas como ganga, padrões flanelados, bordados e linhas de costura — um reflexo directo do universo que também atravessa o trabalho da banda fora da música.
Coisas Estranhas é um álbum que repercutiu bem legal. O que vocês acharam da recepção do disco? Qual faixa vocês destacam do trabalho?
Carol: Sim, a gente fica super feliz em ver como o álbum ainda tá reverberando. Hoje em dia tem tanta novidade toda hora e parece ser tão fácil as coisas passarem batido, então ver que ainda tem gente escutando e gente descobrindo o Coisas Estranhas (que foi lançado em 2024) é muito massa. Reparando na reação das pessoas nos shows, acho que AAAAAAAAA e Luminária de Lava são as queridinhas da galera.
E do mesmo disco, existe alguma música que repercutiu além do esperado?
Carol: Não sei dizer, a gente não costuma ter esse tipo de expectativa. Antes do álbum ser lançado no mundo fica muito difícil prever esse tipo de coisa. Acho que podemos dizer que Lagartixa Tropical foi algo fora da curva por conta do Tiktok. Tem bastante coisa maluca e legal que gira em torno dessa viralização.
Sobre a cena da região, como foi no começo a recepção da banda? E como vocês consideram como é a recepção hoje em dia?
João: No começo tinha bastante estranhamento até porque éramos muito jovens e estávamos bem aficionados pela ideia da psicodelia e ao mesmo tempo a gente não sabia tocar direito rsrs, então provavelmente dava de ver um potencial massa na banda mas o som em si era bem mais bruto ao mesmo tempo inocente. Hoje em dia tem bastante gente que gosta de ir nos shows, não só pela música, mas pelo fato de nós nos comunicarmos com um público de uma maneira específica que é da nossa cidade. Acho que dá uma sensação de pertencimento pra galera que frequenta nossas apresentações, andamos lotando umas casa menores por aqui mas a mídia local impulsiona mais artistas que já estão no cenário há mais tempo ou que tem o nome grande dentro da indústria então acaba que o povo não sabe que tem muitas bandas legais em SC.
Antônio: No início em nossos shows frequentavam em sua grande maioria nossos amigos e familiares, hoje além deles temos um público fiel que também frequenta, melhorou bastante… Sobre como é hoje, gostaria que a cidade de Florianópolis nos chamasse mais para eventos públicos onde geralmente se está presente bandas como o Dazaranha (banda de floripa mais conhecida na região), seria muito legal participar de eventos onde a gente sabe que o público que os frequenta não sabe que existimos.
E falando em shows, qual vocês destacam até o momento como o mais memorável?
Carol: A gente fez mais de 40 shows ano passado, incluindo o Popload Festival e Circo Voador. Esses dois em especial foram novidades para nós, palcos maiores e tudo mais. Difícil essas experiências não serem memoráveis. Mas todos os lugares que a gente visitou pela primeira vez também deixaram uma marca. Independente do tamanho do palco, eu sinto que o que a gente mais lembra com carinho são os shows que o público estava feliz, pulando e cantando. E casas de show que nos proporcionaram uma boa experiência fazendo a gente se sentir bem vindo, bem tratado e tudo mais. Se eu for listar alguns, essa resposta vai ficar enorme… Tem muitas memórias boas e algumas não tão boas assim, hehe. Mas depois que passa vira uma história engraçada pra contar, então tudo bem.
Antônio: Já que a Carol já mencionou o Circo Voador e o Popload (que certamente são um dos mais memoráveis) vou mencionar outros que me tocaram de uma maneira que me fez me sentir super bem, são eles, Circuito nova música edição 6, onde fizemos uma sequencia de 4 shows super legais com uma equipe e infraestrutura incrivel, e também o show que aconteceu em 2025 em Uberaba no Lab96, esse show em Uberaba lotou de uma maneira que eu não esperava e fomos muito bem recebidos pela equipe do local, também gravamos uma live lá um dia antes com algumas faixas do nosso próximo lançamento, foi legal.
E se for para citar um festival onde vocês gostariam de ver a banda, nacional ou internacional, pós-lançamento do novo EP, qual vocês escolheriam?
Carol: Todos. Queremos tocar em todos os festivais. Se for pra citar um acho que vou sonhar alto aqui. Tocar no Primavera de Barcelona seria incrível. É um festival que sempre quis ir pra assistir, então pra tocar e assistir seria um ótimo combo. Tocar num finalzinho de tarde no Rock The Mountain também seria incrível…
Antônio: Concordo com a Carol, rs… Mas um festival na inglaterra não seria nada mal…
Ouça aqui:
A banda já circula e confirma diversas datas pelo país, dando inicio dia 28 de Maio, no Sesc Pompeia, compondo o programa Prata da Casa e viajando entre 8 estados já confirmados: São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraíba e Rio Grande do Norte.



