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Cena alternativa paraibana pelo Nordeste: Sopro do Cão e Papangu se unem em turnê pela região

Bandas em destaque no cenário atual do Rock Alternativo Paraibano, Zepelim e o Sopro do Cão (Campina Grande/PB) e Papangu (João Pessoa/PB) se unem em três datas pelo Nordeste para shows exclusivos, celebrando a força da cena local


Não há dúvidas de que, ao falar do Rock Paraibano contemporâneo, essas duas bandas vêm imediatamente à mente como representantes desse momento. Com trajetórias distintas, reconhecimento conquistado ao longo dos anos e apresentações que se destacam em diversas regiões do país, os grupos agora dividem estrada para divulgar seus trabalhos mais recentes.



Com sonoridades que transitam entre o Rock Progressivo, influências da música popular nordestina e um certo “revival” do forrócore aliado a elementos modernos do Hardcore, as bandas já confirmaram apresentações em maio: Recife (08/05), Maceió (09/05) e Aracaju (10/05).


Para aprofundar a conexão entre os projetos, reunimos as duas bandas para falar sobre suas trajetórias, experiências de palco e o papel que desempenham atualmente como alguns dos principais nomes responsáveis por impulsionar o cenário paraibano em diferentes regiões do país.


Zepelim e o Sopro do Cão



Sopro do cão teve diversas novidades em 2025, shows e lançamento do disco. O que você pode nos destacar da trajetória desses últimos meses com a banda?


Babu: 2025 realmente foi bem especial e vem rendendo bons frutos pra 2026. Ano passado a gente lançou nosso segundo álbum, o “Arquibancada Sol”, e também tivemos alguns lançamentos anteriores, que foram responsáveis por fazer a transição do nosso primeiro álbum, o “Caranguejo de Açude, de 2024, para o segundo. Lançamos dois clipes, o clipe da faixa “Praia de Campina”, um trabalho absurdo de lindo feito por Dede Guima, nosso guitarrista, e Bruno Caniello, um artista visual talentosíssimo aqui de Campina Grande. E lançamos também o clipe de “LARA”, que foi protagonizado pelo ator paraibano Joalisson Cunha, que tem papeis importantes na série Cangaço Novo e no filme O Agente Secreto, ficamos muito felizes de poder contar com ele nessa produção.


Com o lançamento do nosso segundo álbum, veio também o clipe da faixa “Derramaro o Gai Pt. 2”, produzido também por Dede Guima (o home é uma máquina). Esse disco foi resultado de um estreitamento de laços com o Festival DoSol, que nos abraçou fortemente desde o primeiro contato que tivemos. Depois disso relançamos o álbum pelo catálogo da Deck, que foi muito importante pra gente, porque reafirmou a qualidade do nosso trabalho e nos colocou num lugar de importância que a gente sempre almejou pra banda e pra música paraibana.


Iniciamos 2026 com o nosso tradicional baile de carnaval, a Farofa na Praia de Campina, na nossa cidade, com o público que nos abraça e que constrói com a gente “a cena mais bonita do interior”. Estamos em meio a uma turnê pelo Nordeste, fizemos Mossoró e Fortaleza em fevereiro, vamos voltar a Fortaleza em maio e vamos fazer ainda várias capitais do Nordeste. Algumas datas com nossos conterrâneos da Papangu e outras duas com a Iorigun, uma banda incrível de Feira de Santana/BA, que também é da Deck e que em breve vai soltar disco novo. Creio que os maiores destaques sejam essas parcerias, poder expandir território, firmar alianças, fazer nossa música chegar mais longe, fazer os olhos se voltarem para a Paraíba e pro Nordeste.


Sobre as datas Sul-Sudeste, como você considera que está sendo a recepção da banda fora do Nordeste?


A gente tem uma turnê sendo montada pro Sudeste pro segundo semestre, com algumas datas em festivais bem legais já certas e outras em negociação. A maioria dos nossos ouvintes são de São Paulo, então é um público que tá rendendo bem nosso som fora do Nordeste. A gente ainda não conseguiu tocar em SP capital pra ter contato direto com essa galera, mas em breve tamo chegando. Ano passado tocamos em Mogi Guaçi/SP, e foi muito massa, fomos muito bem recebidos no Estudio Viés, devemos retornar à cidade nessa turnê, ficou um sentimento muito bom com todo mundo que a gente se relacionou lá. E também nosso álbum foi produzido por Capilé (Sugar Kane), o que acabou gerando uma relação de amizade e uma conexão forte com o sudeste.


Como você definiria o som da "Zepelim"?


As vezes não curto tanto ficar só dentro da caixinha do HC, a gente gosta de explorar diversas sonoridades e ritmos, criando álbuns mais dinâmicos. A gente faz um Rock Nordestino, um hardcore que se cruza com o rap, que se somam ao sotaque paraibano e ao imaginário da nossa região. Mas fugindo das caricaturas que muitas vezes o mercado impõe e que muitas vezes nós, artistas do nordeste, abraçamos sem se ligar que é uma caricatura imposta pelo mercado. Nosso som segue o fluxo do rock feito no mundo, o som é pesado e soa global, mas quando entra minha voz não tem como negar que a gente é “paraiba” pra carai. E eu gosto muito disso.


O que você pode compartilhar conosco sobre os planos da banda para 2026?


2026 a gente pretende girar o Brasil o máximo possível, experimentar a estrada é um caminho sem volta. A gente curte muito produzir faixas em estúdio e tudo mais, mas levar nosso trabalho pra estrada e fazer chegar em novas pessoas não tem preço. Tem MUITA coisa que a gente gostaria de fazer, como mei mundo de clipes, temos várias ideias, mas uma banda independente não consegue gozar de tudo. Então o foco é rodar.



Papangu



Sobre a breve turnê de ambas bandas paraibanas, e inclusive, do mesmo selo. O que vocês podem compartilhar conosco sobre essa parceria para esses shows? 


Rodolfo: Existe na Papangu uma verve constante por tentar fazer algo pela banda todos os dias. É acordar e pensar: "Quais datas eu posso preencher? Quais cidades eu ainda não toquei? Com quem eu poderia falar hoje para arranjar um show?". Quando começamos a buscar oportunidades de concertos neste primeiro semestre, nos ocorreu que nunca tínhamos dividido uma empreitada mais longa com outra banda paraibana. Com a ZSC em ascensão e também compartilhando da mesma energia e vontade de fazer as coisas acontecerem, nos pareceu uma ótima oportunidade para unir forças e propôr "invasões paraibanas" noutras capitais nordestinas. Enquanto o booking está a cargo de Bruno, nosso booker (Brain Booking), as duas bandas compartilham a produção de forma totalmente independente.


Focando um pouco na trajetória da banda, o que vocês podem destacar do primeiro trabalho em comparação ao último single?


O experimentalismo, peso e mosaico de gêneros musicais ainda está ali — o progressivo também. Os rompantes de metal pesado emolduram canções que despontam em uma grande catarse final. O terceiro disco terá um pouco disso em várias faixas, de modo que um paralelo interessante entre o Holoceno e o Celestial é que enquanto o Holoceno entrega de forma mais constante a parede de som, o Celestial cuidadosamente empilha as pedras em cada faixa antes de desmoronar no final da música. A palavra-chave é contraste. 


Sobre os shows, o que vocês podem nos dizer sobre o atual setlist da banda? 


Tocaremos Holoceno, Lampião Rei e alguns singles do Celestial, dado que na data da circulação já teremos um outro single e clipe rodando por aí . Ao vivo, notamos que todos os lançamentos encontram uma entrega sonora que os aproxima, embora sejam tão diferentes em estúdio. 


Já entregando um pouco de spoilers no segundo semestre, quais são os planos pós turnê Nordeste?


Depois desta mini tour, a Papangu terá um dos shows mais importantes de nossas vidas no aclamado Porão do Rock em Brasília, dado que até lá teremos já alguns singles rodando e é um festival muito antigo e respeitado. Planejamos também uma outra empreitada com a ZSC perto do São João! 


Sugestões de pautas, ideias e releases: entre em contato conosco.

Obrigado pelo envio!

Por Beatriz Jarry

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