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Som delas: Conheça a artista Pricler e suas "panteronas"

Um Rock diferenciado, com toques de Pop e Música Popular Brasileira: são muitas as formas de definir o som da Pricler e As Panteronas. Com um estilo ousado e artístico, a frontwoman do projeto concedeu um breve bate-papo à Mortífera Mag.



Dando início a 2026 com novos lançamentos e após um show recente com a artista Luedji Luna, chegou a vez da cantora, escritora e compositora Priscilla Cler ser uma das nossas entrevistadas da semana. Com a faixa vencedora do Festival de Música da Paraíba, em colaboração com Chico César, “Pri Cler” chega ao cenário local para quebrar diversos padrões da cena musical. Confira a entrevista completa:


Primeiramente, vocês já iniciaram o ano com lançamento! “Bocaberta” está disponível já nas plataformas e gostaria de começar já perguntando sobre o disco. O que você pode nos contar sobre o processo de produção até mesmo do pós como capa, escolha do nome?


Bom, o disco, ele começou a nascer, antes de eu saber mesmo que ele ia nascer, com poemas que eu escrevo já muito tempo. Então começou comigo escrevendo poemas que eu nunca imaginei que fossem um dia vir a música. O Festival de Música da Paraíba me deu uma instiga para começar a compor, porque é uma coisa que eu não não fazia.


E aí, eu comecei a compor para participar do festival, isso também já foi um passo em direção ao disco que também eu não imaginava que eu ia fazer, não tinha esse plano nem nada. Com a publicação dos meus livros, eh chegaram algumas músicas para mim feitas com os meus poemas.


Então, assim, eu tenho um amigo muito incrível e muito compositor, eh muito criativo lá de Belo Horizonte, chamado Luiz Rocha, que desde o meu primeiro livro, né, são dois, desde o meu primeiro livro, ele já começou a me mandar composições eh feitas com os meus poemas. E depois do festival de 2022, eu e Pedro Medeiros começamos a sentar para tirar um som. Eu comecei a apresentar essas músicas para ele, a gente começou a ensaiar só nós dois mesmo.


É, só que aí eu e Pedro participamos de novo do festival, botamos mais uma música, então depois acabamos tendo sete músicas. E a gente tava fazendo disco com recursos do FMC, que foi um projeto que a gente aprovou justamente para gravar um EP. E aí depois do do festival de música, é, a Taioba chegou junto e a gente conversando sobre estratégias e tudo, a gente decidiu que seria melhor se a gente lançasse logo um disco em vez de um EP.


Só que a gente não tinha as outras músicas, né? É, então com já sete músicas gravadas, a gente voltou para o criativo, pedi para o meu amigo mandar músicas também, fizemos mais músicas e inteiramos as 11 faixas.


BocaAberta é o nome de uma das canções do disco e eu acho que é um nome que combina muito para ser o nome do disco, porque é algo muito aberto, que abrange muita coisa, que abrange vários assuntos, diversas formas e diversos sons, boca aberta, né, de uma boca aberta sai um grande tudão assim. Então, por isso, esse é o nome.


Gosto de considerar Pricler como uma “figura rockeira/pop” várias formas de referir-se ao seu trabalho que todas terminam se resumindo a: perfeito. Mas gostaria de saber diretamente por você, como você definiria o som de fato da “Pricler e as Panteronas”?


Ai, que linda essa pergunta. Maravilhosa, que bom, que bom. Fico muito feliz de de de ver que você curte, enfim, disse que é perfeito, pô, massa demais. Para mim sempre foi muito difícil definir também como que é, né, o som de Pricler e as Panteronas. Inclusive, eu escuto muito essa pergunta: "Ah, você tem uma banda, né? A sua banda toca o quê?".


Então, aí, por muito tempo eu fiquei ai, puta que pariu, o que é que eu respondo, velho? Porque é muita doideira, né? Então, muita mistura, muita experimentação, assim, lombra, sabe? Então, é difícil é para mim, foi difícil. É, eu não queria ter que bater o martelo, sabe? É, mas aí, enfim, eu essa é uma pergunta que eu preciso responder, né? Então, agora, junto com as Panteronas, a gente decidiu que o nosso som é Rock Safado.


Sobre as panteronas, de onde surgiu essa ideia?


Então, é, depois do festival de 2022, eu e Pedro Medeiros, né? A gente se juntou para começar a fazer um som juntos. É, um amigo meu maravilhoso lá de Belo Horizonte, Luiz Rocha, que é um grandíssimo compositor, me mandou um monte de música feita com meus poemas. Eu e Pedro começamos a a tocar só nós dois inicialmente.


É, nisso uma vez a gente foi fazer uma apresentação e eu achei que tava faltando uma percussão e aí aquela coisa, né? A amizade é foda, dê dinheiro mas não dê cabimento. Aí nisso eu já obriguei Cacicobra a tocar com a gente nessa apresentação. Eh, Bruno do Baixo, né? Já é meu amigo também há muitos anos, desde que eu cheguei em João Pessoa e sempre me ajudou muito nas questões artísticas e técnicas, a gente se ajuda, né, de várias formas.


E ele é um puta de um baixista, então ele mesmo já chegou chegando, já mandou, já mandou a ideia, já falou: "Ó, pode me mandar depois de um show, né, que eu fiz só eu e Pedro". Ele falou: "Ó, me manda aí a lista aí do do repertório". E aí, de repente, a gente tinha uma vocalista, um guitarrista, um percussionista e um baixista. Aí eu falei: "Bom, então, agora precisamos de uma batera.


Precisamos de uma batera, precisamos de uma batera, porque né já tem tudo isso, só falta uma bateria. E aí encontrei Tamires maravilhosa, foi uma indicação, eu não conhecia ela, mas desde o primeiro dia que a gente se encontrou, já bateu aquela energia das malucas, sabe? Das aquariana. Já bateu a energia panteruda, já ficamos amiga e já deu certo demais. E aí começamos nós, né?


É, nós cinco e aí passou um pouco tempo, eu tava sentindo muita falta de ter outras vozes, especialmente vozes femininas, é, para somar. E aí eu chamei Dani Baldicera e Bárbara Pontes e aí deu todo um glow up assim, que precisava, assim, que na minha opinião tava faltando. É, eu já sabia que a banda ia chamar Pricléria alguma coisa, mas eu não sabia o quê.


E aí eu comecei a experimentar vários nomes na minha cabeça aleatória, fiz um brainstorm assim. E aí Bruno, é, É, ele sabe imitar a voz do musão. E de vez em quando ele chamava uma amiga minha de panterona com a voz do musão, eu queria muito saber fazer, mas eu não consigo, é um negócio tipo panterona. Sabe? Mas ele é que sabe fazer perfeitamente.

E aí eu pensando em vários nomes, experimentando várias palavras, foi isso, uma grande experimentação. Eu pensei Pricléria as panteronas e eu gostei muito da sonoridade, eu achei um nome engraçado. Então bem, sabe? É, um nome meio besta e eu gosto disso. É, e aí depois que a gente se juntou, além da gente conversar muito bem assim, sonoramente, sabe?


De dar muito certo, todo mundo meio meio maluco e a fim de experimentar e compram as minhas doideiras, o que é muito importante. É todo mundo gente boa, é todo mundo engraçado, então a gente, além de ser uma banda massa, nós somos muito amigos também e muito felizes em tocar juntos e lançar esse trabalho.


Ano passado você foi premiada pelo Festival de Música da Paraíba, o que você pode nos compartilhar desse momento?


Festival de música da Paraíba, sempre eu fico muito nervosa. Esse negócio é uma competição, sabe? É, sei lá, se eu se eu acho isso massa. Também eu não vou não vou achar ruim, porque afinal de contas eu já ganhei duas vezes, né? Mas, enfim, eu sempre eu sempre fico nervosa, é, porque não sei, eu sinto uma certa pressão, sabe? Não sei se é viagem da minha cabeça, mas é um lance tipo, ai, tá todo mundo vendo.


É como se fosse a Copa dos Músicos, né? Copa do Mundo dos Músicos da Paraíba. Então, acho que é uma responsabilidade grande participar, eu sempre fico muito nervosa.

Mas por outro lado, além da ansiedade, né, do nervoso, é muito legal, porque primeiro que você acaba encontrando um monte de gente massa curtindo junto, trocando ideia, eh né, junto um tanto de gente que que tem um tempo que você não vê, que é difícil encontrar, né, na vida de repente é uma oportunidade de encontrar com uma galera massa. Também é uma oportunidade de conhecer eh artistas, né?


Outros artistas que você não conhecia antes, outras músicas, outros estilos. Então, assim, é muito rico, sabe? E antes do festival, assim, eu não dedicava a minha vida, a minha carreira artística à composição. Eh, a minha vida inteira eu sempre fui eh uma cantora de teatro, né? Formado em canto e tudo, mas que que me dedicava mais na música dentro do contexto teatral.


E então o festival me deu essa instiga de compor e de ser cantora da cantora da música, em vez de cantora do teatro, apesar de eu também eh ser muito teatral, né? Mas o que eu digo é fora do contexto do espetáculo de teatro. E enfim, o festival também, sabe, vou lhe te falar aqui com bastante sinceridade, foi uma oportunidade que eu tive de provar para a galera daqui dos músculos, daqui que eu sou foda.


Porque o que que rola? Eu estou aqui há 11 anos, é, várias pessoas já me conheceram desde quando eu cheguei, pessoas da música e eu acho que a galera me escanteava, se não me chamava para nada. É, foda-se eu assim, sabe? Não me senti incluída na cena música musical. Paraibana por muitos anos, muitos anos.


É, inclusive gente que que me conhecia, que sabia, né, que eu era cantora, que eu era professora de canto e tal, que diz se dizia até amigo meu, mas que nunca me chamou para nada assim. É, então, o festival foi uma forma de eu provar para essa galera também, que eu não preciso deles, pau no c* dessa galera mesquinha, é, dessa panelinha ridícula que existe e, enfim, é isso.


Já que eu tive que esfregar na cara que eu sou boa, então esfreguei.

Sobre o seu mais recente evento nesta sexta-feira (18/04) na Caravela, o que você pode nos dizer sobre?


Eu tô completamente empolgada e feliz que eu vou dividir uma noite, uma festa com um grande mestre, Ednaldo Pereira. Caralho, velho, o Edinaldo é muito foda. Eu acho que vai ser uma noite incrível da representatividade PCD na arte, na música na música paraibana.


Dois artistas aí com deficiência mostrando para pro o mundo, né, que a gente dá o nome. Eu acho Ednaldo maravilhoso, eu sou grande fã dele, do trabalho dele. E a ideia de chamar o Ednaldo assim, né, pra gente fazer essa noite e tal, foi até do meu marido que tem ideias maravilhosas e contribui muito para as Panteronas (...) É, mas vai ser foda tocar com Ednaldo, inclusive a gente vai cantar uma música juntos, uma música dele. Então assim, é, eu tô estou feliz, eu estou sonhando com esse momento assim, vai ser demais. E eu, e sinceramente eu acho bem imperdível esse rolê. sabe? Porque é um rolê bem diferente do que costuma rolar aqui na cidade.


Ouça aqui:






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