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Ensaios de Guerrilha: O Rock Alternativo da Zambrotta

Ensaio sobre a noite e o dia: Como o Rock Alternativo da Zambrotta (PE) vem ganhando cada vez mais força no cenário regional com sua mais nova turnê ao lado da banda paraibana, Emerald Hill


Já em turnê, o grupo pernambucano conversou com a Mortífera Mag. no mês de janeiro sobre novidades e shows que estão por vir no Nordeste, fortalecendo o cenário alternativo junto com os paraibanos da Emerald Hill.



Vocês estão organizando uma turnê com a banda paraibana Emerald Hill, “Ensaios de Guerrilha”. O que é que o público pode esperar para esses shows?


Tanto nós quanto a Emerald Hill temos shows bastante viscerais. Somos bastante “honestos” em relação a todos os sentimentos que envolvem as nossas canções. Nossos últimos álbuns retratam um pouco dessa realidade do ao vivo, seja nos momentos mais densos e sombrios, seja nos momentos mais esperançosos e alegres. 


Já fizemos dois shows juntos no passado e todos eles foram muito divertidos. O primeiro foi há oito anos, quando nos conhecemos, tocando junto com o gorduratrans. Foi engraçado, até. Sempre achamos que tínhamos bastante coisa em comum e fomos construindo a relação com o tempo, até nos reencontrarmos nesse último show em João Pessoa. Lá percebemos que poderíamos somar forças de uma forma muito divertida, em noites que fariam muito sentido ao público, sabe? Trazer todo esse contexto de vulnerabilidade dos álbuns para uma experiência catártica ao vivo.


Sobre a banda, como surgiu e de onde veio essa ideia de fazer um “pós-emo”? 


A Zambrotta surge da vontade de continuar resistindo através da arte e de devolver, de certa forma, o que ela nos proporcionou - esse senso de pertencimento no mundo, essa autoconfiança de compreender que fazemos parte de algo maior, que existem pessoas que sentem coisas parecidas, e que podemos servir as pessoas nesse sentido também. Carregamos esses sentimentos desde a adolescência e acaba que a Zambrotta foi se concretizando nesse desejo.


Acredito que a ideia do "pós-emo" surge como um marcador histórico do emo, de forma geral. Tivemos várias “ondas” na história do gênero: desde o emo mais ligado ao hardcore melódico nos 80/90, a fase mainstream do pop punk e do metalcore nos anos 2000/10,  até os dois revivals mais recentes - que no Brasil foi traduzido como "rock triste" e "emo caipira", ligado ao midwest emo, mais recentemente por uma galera do interior de SP.


A grande ideia de chamar de "pós-emo" é compreender essa herança histórica, voltar ao “começo” - do que a galera chamar de “real emo” - mas entendendo as camadas sonoras que nos atravessam a partir de outros gêneros/movimentos que surgiram paralelamente em nossas vidas, como o shoegaze, o post-rock, o math rock, o próprio “indie” e até nossas regionalidades. 


Assumir o pós-emo é reconhecer essa herança, mas ao mesmo tempo compreender que é um movimento póstumo. Propõe uma liberdade, um experimentalismo. E é um ótimo bait para quem já foi emo um dia. 


Sobre o “Ensaio Sobre a Noite e o Dia”, como foi o processo criativo para o primeiro disco?


O "Ensaio Sobre a Noite e o Dia" marca uma nova fase de maturidade para nós. Após o lançamento do primeiro EP em 2017, sabíamos que o próximo passo precisava vir com maior maturidade. Nos permitimos ter um hiato para ficar totalmente focados na produção deste álbum, que incluía músicas que já tocávamos ao vivo, para podermos nos concentrar no nesse direcionamento.


Foram seis anos em que tentamos gravar de diversas maneiras até finalmente conseguir, através da parceria com o Estúdio Pólvora e nosso produtor Mathias Severien  - Guitarrista do Desalma e Produtor de tantas outras bandas fodas. Ele pôde centralizar nossas ideias e viabilizar um espaço mais pessoal entre a banda, com o produtor, o estúdio e até com a Zona Norte do Recife (somos da Zona Sul). 


Como essas músicas existiam há muito tempo e fomos amadurecendo musicalmente, acabamos nos permitindo experimentar também muito em cima das canções que já existiam.


A ideia de ser um "ensaio" gira justamente em torno do fato de que estávamos experimentando, “ensaiando” cada canção, porque todas mudaram bastante. Temos músicas no álbum que foram feitas há dez anos, por exemplo. Depois de tanto tempo, as músicas começaram a se autorreferenciar, a ser sobre o próprio processo criativo e a dificuldade em perpetuar nossa vontade de fazer arte mediante as todas as lutas da vida adulta, a síndrome do impostor, o trabalho precarizado e tantas outras mazelas do capitalismo tardio. A “Noite e o Dia” vem daí, em nossa luta para achar espaço em meio a rotina para continuar sonhando em fazer música.


De onde surge o nome “Zambrotta”, qual é a história por trás?


Sempre gostamos muito de futebol. Estávamos procurando o nome de um jogador que fosse sonoro e forte ao mesmo tempo. Zambrotta é o nome de um jogador que nos marcou bastante na infância, principalmente no Milan e no Barcelona.


Com o tempo, começamos a criar algumas teorias em cima disso, como: “Zambrotta era um jogador que não era necessariamente o mais técnico, mas tinha muita raça”. Na verdade, estávamos apenas procurando um nome interessante e encontramos no futebol uma grande fonte de inspiração. 


Pessoalmente, acho que é um nome bastante forte foneticamente; isso representa um pouco a banda, creio eu. Apesar de termos músicas com caráter mais lúdico, encaramos com muita “força” e honestidade todos os sentimentos que nos permeiam, expondo-os sem muitos filtros - mas aqui já é viagem minha (adner), no fundo é um nome legal de um jogador que temos memória afetiva.



Quais são os planos para 2026?


Ainda estamos em processo de divulgação do álbum, tentando furar algumas bolhas. Esta turnê com a Emerald Hill significa um pouco disso: nos reafirmando nesse cenário do rock alternativo/emo. Vamos sitiar cidades levando nossa arte no formato de “guerrilha”; um por uma, dando tudo de sí, de cabeça.


Esta é a primeira fase! Contudo, tem muitas cidades, desde o interior de Pernambuco a capitais - fora e dentro do Nordeste - que já fizemos contato e queremos chegar junto; mas as coisas vão acontecendo, estamos fechando algumas datas.


Paralelamente, queremos lançar duas músicas que não entraram no álbum, mas que faziam parte desse movimento criativo - já começamos a produzí-las! 


Agora em off, não sei nem se deveria comentar sobre, mas também começamos uma pré-produção do próximo álbum, escolhendo as músicas que farão parte dele. Está sendo bastante divertido depois de tanto tempo, trabalhar com canções novas.


Então, resumindo, rodar cidades novas divulgando o ESND e preparar nosso próximo álbum, como fruto do aprendizado dos shows, de nossas pesquisas e do nosso “serviço” como artistas independentes.


Muito obrigado pela oportunidade, Mag (acho que este é seu nome, né?). Admiramos MUITO teu trampo, a sensibilidade e a Curadoria de tudo que cê faz. Você é foda. 





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